True Lies

Remember, and then, just forget it. Right?

Discurso de Formatura

First of all, I want to apologize for 2 things: some of you may have noticed that I haven’t written for a long time. If you haven’t, just skip these. 😉 The reason I have been absent is because I had to be focused in another kind of writing: a speech. Of course I wasn’t doing the speech 100% of the time. But you know, the time I used to spend writing I was doing the speech.

The second apologize is for not translating it. I know this blog was supposed to be in English, but I think translation equals loss. So… A here is a copy from my Prom Speech in portuguese:

Boa noite! Boa noite pais, formandos e professores!

Enfim economistas… formados pela melhor Universidade da América Latina. Acredito que cada um tem uma motivação pessoal para estar aqui. Quando eu era criança, meus pais sempre me lembravam que eu os havia escolhido antes de nascer. Eu nunca admiti isso a eles, mas se de fato existir essa possibilidade, eu tenho certeza de que escolhi os pais certos. Tenho certeza de que vocês, pais, estão muito orgulhosos de nós aqui hoje, concluindo essa etapa, mas tenham certeza também de que independente das escolhas que nós mesmos fizemos, e que nos trouxeram neste marco, nós não teríamos sequer tido a possibilidade de poder escolher se não fosse por vocês.

E já que estamos falando de escolhas e certezas, porque não falar de Economia? Afinal ela trata de escolhas certeiras! Será? Quando Adam Smith lançou a Riqueza das Nações, em 1776, ele afirmava que as escolhas que a Economia se propunha a estudar eram as escolhas racionais. Os outros tipos de escolhas estavam fora do escopo. Recentemente, mais de 200 anos depois da publicação da Riqueza das Nações, as novas Economia Comportamental e Experimental desenvolveram métodos que tornaram possivel a previsão até mesmo escolhas irracionais. E Economia é como política e futebol né? Todo mundo sempre tem um palpite…

Há um grande engano no imaginário coletivo a respeito de Economia ser uma ciência exata… E como pode ser exata se ela se propõe a estudar algo estritamente humano, como a maneira pela qual as pessoas escolhem? Uma maneira que sequer precisa ser racional, já que inserida no cotidiano geralmente entra para o automatico, fazendo com que a probabilidade de erro aumente. E muitas vezes conseguimos prever até mesmo o erro! – Pelo menos tentam!

Ao longo do curso descobrimos que o poder do economista está na abstração: conseguir enxergar algo fora da caixa e por diversos ângulos. O primeiro ano passa, e se o aluno sobreviveu ao calculo I e II, começa a sabatina teórica. E quando estávamos no segundo ano quase sempre declarávamos aquilo como ‘verdade suprema’. Então, com o passar do tempo percebemos que para se formar é necessário ter créditos, e passamos a calcular quantas disciplinas optativas são necessárias: cálculo as vezes mais difícil do que calculo I e II. Assim, nos damos conta que as Teorias Micro e Macro são apenas a introdução de algo que pode atingir uma amplitude muito maior. E estamos hoje aqui… Sou só eu ou tem mais alguém com aquela sensação: ‘eu podia ter feito melhor’? Aliás, acredito que essa sensação é muito frequente no curso… É aquela pegadinha que você não viu numa questão de micro, ou aquele fato crucial que estava o tempo todo na memória, e você na hora de responder a questão da prova de economia brasileira simplesmente deixa passar.

Eu não quero entrar em discussões teóricas, todo mundo aqui com certeza tem suas próprias convicções. Mas até as convicções mais arraigadas podem mudar. Eu por exemplo, tinha a convicção de que nunca veria a professora Vera Fava, de Econometria III, conhecida na Faculdade pelo seu pragmatismo na função de coordenadora, dispensar os alunos de uma aula sem aviso prévio. Obviamente isso se deveu a um acontecimento extremo: o violento assassinato de um colega no estacionamento da FEA. O nosso colega assassinado provavelmente estaria conosco hoje. Mas foi violentamente impedido de poder escolher. E nos faz pensar: poderia ter sido qualquer um de nós. Então, ao Felipe, que mesmo não tendo sido colega de curso, fica a minha homenagem em nome de Economia Diurno.

Outra conviccão que eu tinha era a de que jamais presenciaria uma passeata com apelo político composta por FEAnos. Vocês sabem que a maior parte dos alunos já no segundo ano começa a andar engravatado pelos corredores da FEA. Estamos em geral mais preocupados com os pontos do currículo do que com o que se passa na USP ou na sociedade. Raramente transformamos nossos pensamentos politicos em ações efetivas. E a faísca que deu início à ‘Questão USP’ aconteceu ali, com o assassinato e uma passeata composta por alunos da FEA. E assim, gostaria de terminar, fazendo um convite a vocês formandos: que de alguma forma possamos estar presentes na vida acadêmica da instituição que nos concedeu a graduação, seja através de doação de materiais ou de donativos financeiros às instituições que dão suporte à FEA. Isso para mim significa zelar pelo bom nome da instituição que tornou a nossa graduação realidade.

Assim, fica também uma homenagem aos professores, e todos aqueles que estão iniciando a carreira acadêmica: nutro por vocês uma sincera admiração e respeito. No sistema Hindu de castas, os professores são parte integrante da mais alta casta, a dos Brâhmanes e no Japão a única classe professional que não precisa se curvar ao imperador é a dos professores, já que conhecimento é o bem mais valioso produzido por um ser humano: é o único que não está disponível na natureza para desfrute instantâneo. E conhecimento só tem valor se puder ser transmitido e transformado.

E para aqueles que estão se perguntando se houve ou não reposição da aula cancelada de Econometria III, respondo com uma pergunta: como poderia ficar o curso defasado?

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2 comments on “Discurso de Formatura

  1. Bruna
    March 30, 2012

    eee! mó legal!
    adorei! de verdade!
    =)

    • Breno
      March 31, 2012

      =D Bacana Bru! Que bom que vc curtiu!

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This entry was posted on March 30, 2012 by in Life and tagged , , , , .
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